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Resenha do livro “O Poder do Hábito” de Charles Duhigg

Os hábitos emergem do nosso cérebro como um mecanismo de defesa do ser humano. Eles nos tornam mais eficientes ao executarmos ações sem ter que pensar. Neste livro, Charles Duhigg vai além do achismo e traz conhecimento científico contado através de diversas histórias curiosas.

Entendendo como o nosso cérebro funciona e como podemos mudar nossos hábitos

AutorCharles Duhigg
OrigemEstados Unidos
Ano2012
Nota no GoodReads4.09/5.00
Nota do Aprendiz Moderno9/10
Ficha Técnica

Li o livro O Poder do Hábito no ano passado e posso dizer que ficou no meu top 10 de 2019. Eu acredito que todo mundo deveria ler esse livro para ter uma boa ideia sobre como o nosso cérebro funciona.

Este é o tipo de livro que eu mais gosto, pois traz conhecimento científico de modo mais fácil de conseguirmos absorver.

Ou seja, o autor usa conhecimentos científicos para provar seu ponto e os conta através de histórias marcantes.

Por exemplo, a do paciente no começo do livro que pega uma doença super rara e tem o cérebro comido por uma bactéria (isso mesmo que você leu!).

Abaixo listo meu top 5 destaques deste livro.

1 – De onde vêm os hábitos?

Este livro ajuda o leitor a entender o que está por trás dessa máquina incrível que é o cérebro humano. Imagem por aytuguluturk

Um dos pontos centrais do livro é que os hábitos são formados no nosso cérebro, porém são armazenados em uma região não muito conhecida chamada gânglios basais.

Esta região fica mais próxima da parte mais primitiva do nosso cérebro. A região que controla, por exemplo, nossa respiração e batimento cardíaco.

Tal região tem um controle sobre o nosso corpo muito mais forte do que as nossas decisões consideradas “conscientes”. Ou seja, os hábitos são sim algumas vezes involuntários – não pensamos muito antes de agir.

E isso torna um hábito praticamente impossível de ser esquecido. Porém, sabendo como os hábitos são formados e como eles funcionam conseguimos “manipular” esse mecanismo e transformar hábitos ruins em hábitos bons.

O livro entra nos detalhes de como hábitos podem ser modificados e cita histórias reais de acompanhamentos médicos que foram feitos. Por exemplo, com a menina que não conseguia parar de roer as unhas (até sair sangue) e não sabia o porquê.

Após alguns meses tomando notas e entendendo a razão de praticar tal rotina, ela conseguiu modificar o hábito para algo mais saudável.

Os hábitos são involuntários e difíceis de esquecer por não estarem na região do cérebro onde fica a memória.

2 – Como os hábitos são formados – O ciclo do hábito

O ciclo do hábito – como hábitos são formados no nosso cérebro.

De acordo com o autor, para um hábito ser formado são necessários três componentes:

Gatilho

O gatilho nada mais é que um estímulo do meio externo. Quando o gatilho é acionado o nosso cérebro automaticamente executa uma certa sequência de ações. Tais ações ficam enraizadas no nosso cérebro após serem repetidas muitas vezes.

Um gatilho pode ser um cheiro de comida, o barulho de uma notificação do celular ou uma cena na TV.

E geralmente essa sequência finaliza com uma recompensa. Basicamente, seu cérebro pensa “Toda vez que acontece X eu faço Y e ganho Z e isso é bom!”.

Rotina

A rotina nada mais é que a sequência de ações (físicas ou mentais) que são executadas após nos depararmos com um gatilho, como por exemplo ao chegar no escritório e ligar o computador (gatilho) ir pegar um café (rotina).

Ou ao ouvir o som de uma notificação e automaticamente procurar o celular. Ou ainda, toda vez que o nível de estresse chega a determinado nível, pensar em tomar uma cerveja ou comer chocolate.

Essa rotina, quando relacionada a uma recompensa, faz com que o nosso cérebro conecte o gatilho a uma sensação positiva – como que: “se eu executar tais ações vou receber uma recompensa”.

E isso não é algo que fica na memória e esquecemos, isso é transportado paras as gânglias basais onde esse “caminho” no cérebro é curto-circuitado para ser o mais automático possível.

Recompensa

Exemplo de um hábito comum para muitas pessoas – ao receber uma notificação nós automaticamente olhamos o celular na esperança de um momento de descontração.

A recompensa é o que torna o hábito automático.

Se seu cérebro recebe um retorno positivo ao executar uma ação por várias vezes, ele irá mover tal condicionamento da sua memória (córtex) para os tais gânglios basais.

Por exemplo, as endorfinas que são liberadas ao final de um treino na academia. Se o “ritual” de ir a academia for bem definido, pode tornar a ida a academia muito menos dolorosa e muito mais automática.

No livro são listados vários exemplos como o do próprio autor que tinha o péssimo hábito de ir comer um doce na cafeteria do escritório todo dia às 15h sem saber a razão.

Ao observar melhor seu hábito, percebeu que o fato de ir na cafeteria o recompensava com alguns minutos de ócio onde sempre encontrava alguém para bater um papo.

E não tinha nada a ver com sensação de fome ou necessidade de comer doce. Ao ajustar sua agenda, a vontade de ir na cafeteria comer um doce simplesmente desapareceu.

Um ponto importante é entender como o ciclo do hábito funciona é imprescindível para conseguir modificar ou adicionar novos hábitos.

3 – Como mudar hábitos

Hábitos são praticamente impossívels de serem esquecidos. Mas podem ser mudados. Fonte: PublicDomainPictures

É pouco provável que se consiga esquecer um hábito, pois como dito, eles não residem na memória, mas sim em uma outra parte do cérebro.

No entanto, é possível modificar um hábito. No livro são listados mecanismos muito interessantes para entender quais hábitos que a nós possuímos e como eles estão mapeados na nossa cabeça.

O truque consiste em mapear os três pontos (gatilho, rotina e recompensa) do hábito e alterar a rotina que muitas vezes é ruim para uma rotina melhor.

Por exemplo, imagine que toda vez que uma pessoa chega em casa estressada do trabalho toma uma cerveja para relaxar.

O estresse é o gatilho e a sensação de relaxamento é a recompensa. A pessoa quer mudar o hábito para algo mais saudável (tomar uma cerveja todo dia pode gerar aquela barriguinha).

Para isso acontecer, ela pode simplesmente produzir a mesma recompensa com uma rotina diferente.

Ao invés de tomar uma cerveja, toda vez que ela chega em casa estressa ela tenta conversar com alguém no WhatsApp para relaxar, ou assistir um filme preferido.

O gatilho permanece ali e a recompensa (relaxamento) também, mas a rotina mudou para algo mais saudável.

Os hábitos são difíceis de serem esquecidos, mas podem ser alterados para algo mais saudável ou positivo.

4 – Hábitos em empresas – Por que eles existem?

Da mesma forma que os hábitos estão presentes em nossas vidas pessoais, eles também acontecem nas empresas e locais de trabalho.

Gatilhos estão presentes o tempo todo e que muitas vezes geram rotinas que são extremamente enraizadas nas empresas.

Eles existem, pois, tornam o dia-a-dia muito mais fácil fazendo com que novos funcionários consigam rapidamente entender as regras do jogo.

Imagine se uma empresa tivesse que explicar todas as rotinas para todos os novos funcionários? Demoraria meses até que algum trabalho fosse executado.

Com os hábitos presentes na empresa, decisões não precisam esperar tanto tempo, já que as pessoas sabem como a banda toca.

O presidente da empresa Americana Alcoa – Paul O’Neil – conseguiu transformar a empresa em um sucesso apenas focando em uma única prioridade: melhorar as condições de segurança das fábricas da Alcoa.

Através dessa pequena iniciativa várias rotinas dentro da empresa tiveram que ser transformadas. E isso tornou as pessoas na empresa muito mais comunicativas entre si e mais atentas aos detalhes.

Entender estes tais hábitos enraizados é importante para que líderes consigam guiar as empresas. Estas são as rotinas que quando mudadas alteram a cultura da empresa.

5 – Hábitos nas sociedades

Na última parte do livro, o autor expande o conceito de hábitos para grupos de pessoas. Nesta parte, ele explica como as sociedades também tem as suas “regras não faladas” (do Inglês, unspoken rules).

No Brasil temos a expressão “leis que não pegam” que nada mais são do que leis que colidem com os hábitos de um grupo de pessoas.

Quando não observado o todo como os gatilhos que geram tais rotinas que não são positivas para a sociedade fica difícil mudar o jeito como as pessoas agem.

No livro o autor retrata a luta contra a segregação racial que existia no Sul dos Estados Unidos.

Ele conta a história (que eu não conhecia os detalhes) do boicote aos ônibus de Montgomery e o inicio da jornada de Martin Luther King Jr. contra o racismo institucionalizado. Algo que era habitual na sociedade americana da época.

Nós somos todos seres de hábitos e entender o mecanismo que faz as pessoas agirem sem pensar é muito importante para que hajam as mudanças de atitudes que esperamos.

Sobre o Autor

Charles Duhigg – Fonte: Wikipédia

Charles Duhigg é um autor e jornalista Americano nascido no estado do Novo México. Ele ganhou o prêmio Pulitzer (Oscar do jornalismo) por uma série de artigos sobre empresas de tecnologia como a Apple.

Além do livro O Poder do Hábito ele também escreveu o livro Smarter Faster Better que também chegou a listar o ranking de mais vendidos do The New York Times.

Conclusão

Os hábitos emergem do nosso cérebro como um mecanismo de defesa do ser humano. Eles nos tornam mais eficientes ao executarmos ações sem termos que pensar.

O próprio Michael Phelps, um dos nadadores mais vitoriosos de todos os tempos, realizava rotinas milimetricamente planejadas em todas as competições.

O grande truque é estarmos atentos aos nossos hábitos e entendermos os mecanismos que regem nosso corpo/mente.

Saber que temos hábitos ruins é o primeiro passo, porém o mais importante é termos ferramentas para modificar os péssimos hábitos e termos mais controle sobre a nossa vida.

Aprender sobre hábitos pode ser uma das curas para a preguiça. Pode nos ajudar a vencer barreiras que limitam nosso crescimento.

Seja ao tentar aprender uma nova língua ou praticar um esporte.

Eu acredito que este livro apresenta conceitos e ideias que poderão ser aplicados a qualquer um. Uma ótima leitura.

Uma leitura que com certeza mudará o seu jeito de pensar sobre suas atitudes.

DESAFIO: Leia a primeira parte do livro em 1 semana e se dê um prêmio caso consiga completar: um doce ou um almoço especial.

Comente aqui embaixo o que achou deste review!

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