Investimentos

Primeiro passo para aprender a investir

Risco e retorno andam da mãos dadas. Saber como eles afetam o jogo da vida é um importante passo para aprender onde colocar suas fichas.

Risco x Retorno e como saber onde investir seu dinheiro

Estava viajando a trabalho para Copenhagen, e ao sair do aeroporto peguei um táxi para o escritório. A fila estava extremamente longa naquela manhã e eu estava inconformado com a quantidade de pessoas pegando táxi, que naquela região é extremamente caro (uma corrida de 20 min gira em torno de R$ 170).

Depois de um tempo percebi que muitos ali estavam, assim como eu, com poucas bagagens e vestidos socialmente. Ou seja, a maioria ali também estava viajando a trabalho.

Isso me fez pensar que – na verdade – são as empresas que estão pagando aquelas corridas (que deveriam vir com café da manhã incluso dado o custo) e não as pessoas em si.

E isso me fez lembrar como os valores mudam de patamar quando pensamos na diferença entre preços para pessoas e preços para empresas.

O que para muitos seria um custo excessivo, quando bem alocado é na verdade um ganho de valor – afinal, a empresa ganha mais quando eu ando de táxi e chego mais rápido (e menos cansado) no escritório do que quando ando de metro.

No caso dos investimentos, é a mesma coisa.

Imagine que quando você está trabalhando – digamos, 8 horas por dia – você está trocando horas do seu dia por dinheiro. Porém, isso tem um limite físico (você eventualmente terá que dormir). Agora, se durante essas mesmas horas, você está trabalhando e, além disso, existem centenas (se não milhares) de pessoas trabalhando para você, o resultado geralmente é um pouquinho melhor.   

E como ter pessoas trabalhando para você? Existem diversos jeitos:

  1. Tendo sua própria empresa (de sucesso).
  2. Emprestando dinheiro para o Governo, onde várias pessoas irão trabalhar para pagar os juros – para você.
  3. Investindo em outras empresas (também conhecido como o aprendiz de Wall Street).

Qual é o melhor lugar para começar a investir?

A relação entre Risco e Retorno nem sempre é linear. Mais risco não necessariamente siginfica muito mais retorno.

O primeiro passo para começar a investir é entender a relação Risco x Retorno. O gráfico acima (sim, estou assassinando a engenharia com um gráfico sem escala) ilustra mais ou menos a ideia de que quanto maior o retorno esperado maior o risco, porém a relação risco e retorno não é algo que cresce proporcionalmente.

Ou seja, existem maneiras de ganhar um pouquinho mais de dinheiro, porém correndo um risco absurdo.

E como saber qual investimento se encaixa na curva? A resposta é fácil: não da para saber com certeza. E além disto, é uma curva que varia conforme vamos envelhecendo.

Como assim? Quer dizer que quando vamos ficando mais velhos a curva vai ficando diferente? Exatamente!

Quando somos mais novos, podemos correr mais riscos que podem ser compensados no longo prazo. Por exemplo, começar um negócio próprio. Se ele falir, podemos voltar ao mercado de trabalho pois somos jovens e é fácil conseguir um emprego, voltar a estudar, morar com os pais, e por aí vai.

Agora quando se é mais velho, para a mesma atividade o risco pode ser muito maior: as vezes temos filhos, família para sustentar, a idade já não ajuda e o nosso custo de vida é maior.

Entenda que não há mágica. Maior retorno sempre será acompanhado por maior risco. A questão é qual o risco que você está disposto a tomar hoje.

Então ferrou? Não, calma jovem. O melhor lugar para começar a investir é em você mesmo.

Quando se é mais novo existem atividades que geram muito mais retorno para o mesmo risco:

Investir em um curso para aprender uma habilidade nova

Quando investimos em um curso estamos correndo o risco de aquilo não servir para nada e perdermos o dinheiro. Porém, para um jovem (e para muitos vovozinhos também) o risco é muito baixo comparado com o retorno.

Imagine investir em um curso que irá mudar a sua carreira para sempre. Imagine que este curso irá te inspirar a se dedicar muitas horas até atingir maestria naquela habilidade. Imagine ficar famoso após se dedicar a aprender novas coisas.

E qual o risco? Perder alguns reais (que hoje já não valem muita coisa) e que ao longo da vida conseguirá recuperar facilmente.

O mesmo vale para comprar livros! Se você acha caro gastar 30-50 reais em um livro que pode te trazer um conhecimento que irá mudar a sua vida então você tem que rever a figurinha ali a cima.

Criar uma reserva de emergência

Reserva de emergência é uma poupança que equivale de 6 a 12 meses dos seus gastos básicos mensais (comprar um tênis da Nike não é gasto básico).

Se você gasta R$1.000,00 por mês seria o equivalente a juntar 6 a 12 mil reais na poupança (sim, poupança mesmo daquela dos bancões que todo mundo mete o pau). E por que poupança? Por que ali há um risco bem baixo (porém existe risco – pergunte para sua vó sobre um tal de Collor) e você pode sacar a qualquer instante.

E por que tal reserva é um investimento bom? Com uma reserva desta, você ganha o superpoder de se demitir do tralho. Quê? Isso mesmo, você pode se demitir do seu trabalho e ir para um outro sem peso na consciência, porque você consegue segurar as pontas por alguns meses até achar alguma coisa nova.

A vantagem de poder se demitir é não ter que depender do trabalho a ponto de perder seu tempo (uma coisa extremamente valiosa) trabalhando em algo que não gosta ou com pessoas que não gosta apenas por não ter dinheiro para passar o mês.

O retorno é altíssimo já que você automaticamente, mesmo que por um pequeno período da sua vida, você pode se dar ao luxo de trocar de emprego sem se apertar e isso pode te poupar alguns anos de vida que não serão gastos em um lugar no qual você não se sente bem.

Viajar

Foto por Philipp Kämmerer

Quando você viaja você expande seu horizonte e você pode conhecer pessoas que irão te levar mais longe ainda.

Viajar sozinho ou com família, pode e irá te trazer memórias que valem muito mais que dinheiro. Além de ser cientificamente comprovado que ajuda na sua saúde.

Se você é novo, sua energia poderá ser bem gasta e aproveitará as viagens, sejam elas para onde for, de uma maneira única para a sua vida e que não será possível reaver no futuro.

Logo, o risco de desperdiçar dinheiro ou a oportunidade de investir em Bitcoins é facilmente reduzido pelo valor agregado das experiências.

Não pense muito em guardar dinheiro nos seus primeiros anos de independência dos seus pais. O tempo ainda está a seu favor. Portanto, separar uma grana para gastar com viagens pode ser um dos melhores investimentos que você irá fazer durante sua juventude.

Diversificação

O único jeito de se investir de forma coerente é diversificando seu portifólio. Primeiro, você precisa entender o que é um portifólio:

O portifólio nada mais é que o conjunto de todos os seus ativos que irão te trazer valor.

Uma vez que você define um portifólio (e isso é assunto para um outro post) você consegue diluir o risco em diversas áreas da sua vida:

  • Um pouco na poupança para não ter que sofrer na mão de um chefe carrasco
  • Um pouco em investimentos de renda fixa que irão te trazer uma graninha extra.
  • Um pouco em investimentos de renda variável que irão te trazer maior retorno (ao troco de maior risco).
  • Um pouco para você gastar e aproveitar o presente da melhor maneira possível.


Cada um tem sua definição de “um pouco”. Hoje em dia, eu guardo de 20 a 30% do que eu ganho (nunca menos de 15%) e tenho uma carteira distribuída em 10-15 ativos em 3 países diferentes.

Ainda me sobra uma grana para viajar uma vez por mês (eu moro na Europa, passagem aérea custa 200 reais) e aproveitar minha experiência como expatriado.

O truque é encontrar as proporções que irão funcionar para você. Se você tem como objetivo ter uma família, ou se já tem filhos, ou ainda, se pretende abrir uma empresa as proporções irão mudar.

Porém a distribuição se faz necessária sempre. Pois ela irá também te proteger das incertezas do futuro.

Qual o primeiro passo para atingir a independência financeira?

Nós trabalhamos para podermos ter um pouco de dinheiro e eventualmente fazer algo que nos traga prazer. Porém sempre existe aquela sensação sufocante de depender daquilo para continuar a viver do jeito que estamos vivendo.

Independência financeira não é parar de trabalhar, mas sim, não precisar trabalhar para sobreviver confortavelmente.

No entanto, todos nós passamos por um momento onde olhamos ao nosso redor e só vemos coisas caras, mas ao mesmo tempo pessoas acumulando muito dinheiro. A questão é que o problema não é as pessoas ganharem muito dinheiro, e sim, a gente não conseguir fazer o dinheiro trabalhar ao nosso favor.

Ser financeiramente independente exige muitas coisas, mas o primeiro passo é entender que o seu trabalho e o valor que você traz para as pessoas ou empresas ao seu redor é o que vai te enriquecer no longo prazo.

Sim, a bolsa de valores pode te trazer um maior retorno, mas não de graça – o risco sempre será maior – e saber onde investir e em qual momento investir é importante.

Porém, não existe fórmula mágica, quanto mais dinheiro você aportar seja em você mesmo no início da sua carreira, ou em algum investimento como ações, mais rápido você irá atingir a independência financeira.

O jovem Breno Perrucho do canal Jovens de Negócios mostra quanto precisa para gerar uma renda passiva de 1000 reais por mês.

Disciplina para investir sempre, diversificando onde seu dinheiro está indo e sempre procurando aprender novas formas de investir são os fatores que irão de enriquecer.

Alguns mais rápido, outros mais devagar, mas cada um a seu tempo. Conhecimento e disciplina são as palavras-chave.

Conclusão

Existem coisas que podem te trazer muito mais valor que qualquer % de retorno do seu dinheiro.

Uns tomam maior risco por vontade própria seja abrindo uma empresa e investindo em renda fixa. Outros sendo sócio de algumas empresas através de ações e trabalhando para uma firma ou exercendo uma atividade de menor risco.

O ponto é, o primeiro passo para investir é entender que cada escolha da sua vida tem um potencial retorno e este retorno sempre estará atrelado a um risco.

Como Nassim Taleb escreve no seu livro A Lógica do Cisne Negro, o risco é algo intrínseco as nossas vidas e algumas vezes impossível de antecipar.

Nosso conhecimento e vontade de aprender são os elementos que irão nos tornar mais ricos seja de dinheiro ou seja de amor, felicidade e alegria. Tanto faz o caminho que for percorrer, reflita sobre suas decisões e sempre pondere qual direção tomar.

Viver a vida no automático pode ser a coisa mais arriscada que você irá fazer.

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