Livros resenha

Resenha do livro “Fora de Série” (Outliers) de Malcolm Gladwell

Talento ou trabalho duro? O que torna alguns capazes de atingir um sucesso tão incrível a ponto de serem chamados de "fora de série"?

Talento ou trabalho duro?

AutorMalcolm Gladwell
OrigemEstados Unidos
Ano2008
Nota no GoodReads4.15/5.00
Nota do Aprendiz Moderno8/10
Ficha Técnica

Usain Bolt. Albert Einstein. Bill Gates. Mozart.

Muitas pessoas acreditam que os grandes nomes dos esportes, da música ou da ciência que revolucionaram o mundo nasceram com um talento e isso os fez gênios.

Neste livro, o autor Malcom Gladwell tenta desmistificar um pouco essa história em um livro que chegou ao rank do mais vendidos pelo New York Times.

E já te adianto:

Trabalho duro combinado com um talento inato gera grandes resultados.

Como dito na análise do livro Mindset da professora Dra. Carol Dweck, muitas pessoas tendem a creditar todo o sucesso ao momento. Como que se fosse algo definido pelo destino, ou nascimento.

No entanto, talento é muito mais do que suas características físicas ou mentais ou sorte. O talento também pode ser medido pelas oportunidades geradas pela sua cultura, seus pais ou o momento em que você nasceu.

Além de muito trabalho duro – por volta de 10 mil horas (ou 20h/semana por 10 anos). Esse não é necessariamente o número mágico mas dificilmente você não vai atingir a maestria se conseguir se dedicar tanto tempo em uma atividade.

O livro conta histórias de grandes nomes como Bill Gates, Mozart e Roger Federer além da banda Os Beatles. E é uma ótima leitura para quem gosta de biografias e principalmente acha que esses grandes nomes simplesmente nasceram gênios.

O que não é verdade.

Abaixo listo meu top 5 pontos do livro que merecem ser destacados.

1. Bill Gates: gênio ou oportunista? Os dois!

No livro, o autor conta em detalhes a história por trás do homem mais rico do mundo e fundador da Microsoft – simplesmente a empresa que “lançou” o PC (Personal Computer).

Bill Gates – Fundador da Microsoft. Fonte: Wikipédia

Bill Gates era um aficionado por computadores e nerd de carteirinha. Porém, um detalhe que poucos lembram sobre sua história é que ele provavelmente foi uma das primeiras pessoas a programar em tempo real em um computador – na época um terminal de mainframe.

Em 1968, programação só era feita por engenheiros que trabalhavam em grandes empresas como a IBM. Naquela época os amadores tinham que comprar “créditos” nas faculdades para rodarem programas.

Ao mesmo tempo, o xófen Bill Gates tinha acesso a programação ilimitada quando estava ainda na oitava série. Isso mesmo!

Nascido em família de classe alta pôde estudar em talvez uma das primeiras escolas do mundo a terem um terminal de computador – lembrando que naquela época você não comprava UM computador, você comprava um PEDAÇO do computador e alugava o resto.

Óbvio que acesso não era o suficiente, afinal nenhum dos coleguinhas do menino Bill ficou zilionário que nem ele.

No entanto, ele viu a tremenda da oportunidade que tinha e passou horas e horas e horas programando junto com os amigos. E quando os amigos cansaram, ele continuou programando por mais horas e horas porque aquilo era o que amava fazer. E uma hora virou dez que virou mil que viraram 10 mil horas.

Quando largou a faculdade de Harvard no segundo ano para abrir sua empresa ele já tinha programado por sete anos consecutivos em um ritmo frenético  – o que totalizaria aproximadamente 10 mil horas.

Se tornando provavelmente um dos poucos no mundo a terem acumulado tantas horas de programação.

Sim, talento e dedicação são importantes. Mas oportunidade diferencia o bem sucedido do homem mais rico do mundo.

2. Por que japoneses (ou asiáticos) são bons em matemática?

A cultura do arroz – Foto por Kiril Dobrev

Então quer dizer que nascer asiático não te faz automaticamente bom em matemática? Sim e não.

Malcolm, em seu livro, conta a história da cultura asiática dos arrozais. Para quem não sabe, os asiáticos como Japoneses, Coreanos e Chineses comem muito (sim, muito mesmo) arroz como parte da sua dieta.

Até aí beleza. Mas o que o arroz tem a ver com matemática? Tudo!

“Ninguém que, em 360 dias do ano, acorda antes do amanhecer deixa de enriquecer sua família”

Provérbio Chinês

O autor descreve a incrível história das plantações de arroz na China e como elas eram tão complexas de se cuidar que eram necessários muitos dias de trabalho para produzir arroz. E isso criou uma cultura de trabalho extenso e muita prática e dedicação.

E advinha qual o “segredo” para aprender matemática? Dica: não é nascer japonês. É treino, treino e mais treino.

Além disso, os chineses, por exemplo, têm a vantagem de memorizar números muito mais rápido devido ao fato de que as palavras chinesas que designam números serem bem pequenas (por exemplo, 4 é si e 7 é qi). Será que é uma coincidência? Provavelmente, não.

Para um brasileiro memorizar uma sequência 10 dígitos (tipo: 4, 7, 7, 3, 2, 6, 5, 6, 3 e 4) é mais difícil porque memorizamos pronunciando os números na nossa cabeça e “qua-tro, se-te, se-te” é mais difícil de memorizar que “si-qi-qi”.

E isso torna matemática bem mais fácil de aprender no começo quando você é uma criancinha que fala Chinês.

Aí a vontade de estudar aumenta, o tempo estudando aumenta, as notas aumentam… e o resto já sabemos.

3. Uma coincidência em todos os times de hockey.

Um ponto muito curioso que o autor trata no livro é a estranha coincidência que uma amiga sua observou ao olhar a lista de jogadores em um campeonato juvenil de hockey: a maioria dos jogadores nasceu nos três primeiros meses do ano.

Até aí só uma coincidência, correto? Errado! Em muitos esportes isso se repete com frequência: times juvenis no qual a maioria dos jogadores nasceram nos primeiros meses do ano.

Atletas de alto nível tem maior probabilidade de terem nascido nos três primeiros meses do ano. Foto por Priscilla Du Preez

E qual a razão disso? Se você parar para pensar, três ou quatro ou cinco meses de diferença da idade não importam muito entre adultos.

Mas em crianças de 5-6 anos isso pode fazer uma grande diferença em termos de capacidade motora e física.

Logo, as crianças que vão para as famosas peneiras, sejam elas de qualquer esporte, são separadas por habilidade naquele momento.

E as que tem “mais habilidade” (ou mais tempo de vida também) são colocadas para treinar logo cedo com os melhores técnicos.

E quem tem os melhores técnicos acaba jogando mais em competições.

E quem joga mais se desenvolve mais rápido.

E quem se desenvolve mais rápido tem mais sucesso.

E mais sucesso logo cedo acaba motivando mais a treinar – as vezes por muito mais horas ou dedicação integral.

E mais horas de treino geram mais sucesso e mais sucesso…

Já as outras crianças não vão para os campeonatos como os jogadores mais “tops”. E muitas vezes acabam deixando de lado o esporte para ir para escola e estudar.

O ponto é: treino e dedicação importam sim. No entanto, as oportunidades que te apresentam podem ser tão importantes quanto. O jeito é saber observar as oportunidades que te aparecem seja onde você nasceu, seja da sua família ou comunidade.

4. Performance na escola: Filho de Rico x Filho de Pobre.

E falando de família. Será que a performance dos filhos de ricos é diferente dos filhos de pobre?

Malcolm Gladwell relata em detalhes estudos feitos por cientistas americanos em diversas escolas das periferias das grandes cidades.

E nestes estudos, o mais interessante é que assim que entram na escola a performance entre filhos de pessoas de classe alta e de classe baixa é a mesma.

Porém, após as primeiras férias escolares, os filhos de ricos voltavam sabendo mais do que quando saíram para as férias. E os filhos de pessoas mais pobres geralmente voltavam sabendo a mesma coisa ou menos.

A razão disso se dá pelo acesso a informação, cultura e lazer. A presença dos pais que podem tirar férias junto com as crianças, mandá-las para acampamentos e outras atividades fazia com que as crianças não parassem de aprender.

Enquanto os pais de família de classe mais baixa muitas vezes tinham que trabalhar e não podiam dar atenção para seus filhos, ou mesmo não davam muito valor aos estudos.

E isso gerava essa diferença que ano após ano ia se acumulando.

No final, é uma questão de esforço. Os pesquisadores conseguiram fazer com que uma escola de periferia se tornasse uma das melhores de Nova Iorque através de rotinas intensas e de muito estudo.

Os menos favorecidos conseguiam performances muito melhores apenas se dedicando mais, inclusive com férias reduzidas.

Sua família tem sim um papel importante na sua trajetória, mas com trabalho duro qualquer pessoa pode corrigir seu rumo para onde desejar.

5. O QI não importa se você está rodeado de pessoas inteligentes.

E para mim, uma das partes mais marcantes do livro é a história de um homem chamado Christopher Langan. Americano que com seis meses já sabia falar. Com três anos, aprendeu a ler sozinho e aos cinco anos falava sobre filosofia e ciências.

Um gênio que acabou indo parar no 1 vs.100 – “Show do Milhão” gringo – e não se saiu mal parando nos 250mil dólares.

No entanto, a parte interessante da história é que mesmo com um QI totalmente acima da média (maior que o de gênios como Albert Eistein) morava numa fazenda, não conseguiu terminar a escola e chegou a passar sufoco. Sua história é narrada pelo autor que foi entrevistar pessoalmente o Chris.

O autor descreve muitos outros detalhes de várias pesquisas neste tema de QI e concluí que é irrelevante ter um QI de gênio se você quer ser bem-sucedido no mundo.

O mundo real exige inteligências (sim, mais do que uma) que vão além de raciocínio lógico.

Inteligência emocional, saber falar com as pessoas, saber se expressar em público e saber o poder do trabalho duro pode ser muito mais valioso que boas notas na escola e um diploma.

Conclusão

Espero que este post tenha despertado sua curiosidade para está ótima leitura. A conclusão é que todos nós temos potencial para sermos incríveis.

Basta sabermos aproveitar as oportunidades que nos foram dadas e entender como podemos batalhar pelas nossas chances. Sim – batalhar – porque no mundo real o sucesso vem com muito esforço.

Malcolm escreve muito bem e seus livros são do meu tipo preferido: recheados de pesquisa e fatos. Foi uma leitura que me abriu a mente para olhar pessoas bem sucedidas como exemplos a se seguir e não os colocar em pedestais.

Na minha opinião, talento é uma mistura de oportunidade e vontade. Descobrir o quanto antes o que te motiva, o que desperta sua curiosidade e o que te faria dedicar anos da sua vida pelo prazer de fazer é o seu talento. E isso aliado a dedicação te trará resultados acima da média.

Você já descobriu o que te motiva?

DESAFIO: Separe 10h da próxima semana (contando sábado e domingo) e tente se dedicar a alguma coisa que você gosta muito seja ela o que for.

Sobre o autor

Malcolm Gladwell – Fonte: Wikipédia

Malcolm Gladwell é um jornalista britânico criado no Canadá. Seus primeiros cinco livros se tornaram bestsellers internacionais com direito a aparecerem no rank do The New York Times Best Sellers.

Entre eles “O Ponto da Virada”, “Falando com Estranhos” e “Blink – A decisão num piscar de olhos”.

Também é criador de um podcast chamado Revisionist History que é constantemente mencionado em entrevistas por milionários e CEOs do mundo inteiro.

Seus livros são sempre recheados de pesquisas acadêmicas nas áreas de ciências sociais, psicologia e sociologia.

Comente o que achou desta análise!

Clique ao lado para ir ao site da Amazon Brasil comprar o seu!

0 comentário em “Resenha do livro “Fora de Série” (Outliers) de Malcolm Gladwell

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: