Conhecimento Inteligência Emocional

Estoicismo – o imperador também tinha preguiça

Como estoicismo e filosofia em geral podem te ajudar a alcançar seus objetivos

Estoicismo ou a arte de focar no que importa.

Quando era mais novo, sempre usei o fato de não ter tido uma adolescência rica como desculpa para não fazer as coisas.

Achava que o fato de ter conseguido o que tinha conseguido era mais que o suficiente – tinha feito minha parte – e hoje olho para trás e vejo que isso me bloqueou de várias coisas que poderia ter feito se não tivesse sido um bunda-mole.

Às vezes a gente pensa que não dá para conseguir mais. Que já deu. Que a vida é assim prontoacabou. Mas na verdade há muito mais. O ser humano é incrível e nosso potencial é praticamente ilimitado.

Veja a história de grandes nomes como Silvio Santos, Flavio Augusto, Luiza Trajano e tantos outros.

Eles não desistiram na primeira porrada, nem na segunda muito menos na terceira. Eles conseguiram chegar muito longe vivendo um passo de cada vez e amando o processo.

A filosofia do estoicismo nos lembra que o mundo é imprevisível e que há fatores que não podemos controlar. Porém, podemos controlar nossas atitudes em relação ao mundo e viver o dia de hoje tentando ser o melhor possível.

Nunca gostei muito de filosofia, sempre achei muito teórico.

Porém, depois de superar meus preconceitos e estudar um pouco mais a fundo fui perceber que a filosofia, principalmente o estoicismo, foi e ainda é praticada não só por pensadores mas pessoas de atitude– que botaram a mão na massa – como: Marco Aurélio (imperador romano), Sêneca (conselheiro do imperador Nero) e Epictetus (ex-escravo).

E as histórias e conselhos destes grandes nomes da antiguidade ainda vem moldando a atitude de pessoas super influentes no mundo moderno como Bill Clinton (ex-presidente dos EUA), Arnold Schwarzenegger e JK Rolling.

Segundo esses filósofos, a preguiça vem do fato de que não estamos fazendo aquilo que amamos inteiramente. Talvez o momento não seja o melhor, mas talvez também o plano não esteja claro.

O segredo da vida é agir e agir agora.

Fazer algo chato/difícil/duro para ter um futuro melhor é uma coisa. Fazer algo chato/difícil/duro sem perspectiva nenhuma é outra bem diferente.

O imperador

Um grande adepto do tal estoicismo era Marco Aurélio, imperador romano há mais de mil anos.

No Livro V do livro Meditações de Marco Aurélio – que na verdade é o diário dele que caiu no zap da época – ele abre com a seguinte discussão adaptada por mim e como eu imaginei a cena:

Pela manhã, quando você tem preguiça ao levantar da cama, diga a si mesmo: “Eu tenho que cumprir minha tarefa como qualquer outro ser humano.”
“Do que tenho que reclamar, se eu vou fazer exatamente o que eu nasci para fazer: aquelas coisas que eu vim ao mundo para executar?”
“Ou não? Ou irei continuar indisposto se me ponho a fazer a tarefa que justifica minha existência e pela qual eu nasci?”

E ele vai além e começa a trocar uma ideia consigo mesmo:

“Mas é gostoso ficar aqui no quentinho...”
“Então você nasceu para sentir prazer? Para ficar no ‘quentinho’ das cobertas? Afinal, você nasceu para a passividade ou para a atividade? Não vê as plantas, os pássaros, as formigas e as arranhas e as abelhas indo trabalhar nas suas tarefas para que o mundo siga em ordem da melhor maneira possível? E você, então, se recusa a fazer o seu trabalho como ser humano? Por que você não está de pé indo botar a vida em ordem?”
“Mas a gente tem que dormir um pouco também...”
“Concordo! Eu também durmo. Mas a natureza põe um limite nas coisas – como o quanto comemos e bebemos – e você passou do limite de dormir. Você teve mais que o suficiente disso, mas não o suficiente de trabalhar. Não só não cumpre o suficiente das suas tarefas como fica abaixo das suas possibilidades.”

E a parte mais interessante dessa passagem é o que Marco Aurélio diz – a si mesmo – logo a seguir:

“Você não se ama o suficiente! Se não, você amaria a sua própria natureza e o seu propósito também, e tudo o que eles demandam de ti. As pessoas que amam o que fazem se consomem fazendo aquilo que gostam. Elas até se esquecem de comer ou tomar banho. Você tem menos respeito pela sua própria natureza do que o relojoeiro tem por relógios? Ou que a dançarina tem por dançar? Ou o avarento por dinheiro? Ou o famoso por status? Quando todos esses sentem paixão por algo, não querem nem comer e nem dormir antes de terem contribuído para o progresso das suas artes.”

O aprendizado

Não sei se o mais impressionante é o fato de as pessoas terem dificuldades ao levantar da cama desde o ano 100 D.C ou o fato de que o imperador da porr* toda também passava pelas mesmas coisas que passamos no nosso dia a dia – a famosa preguiçinha de levantar da cama.

O que diferencia aqueles que conquistam as coisas daqueles que ficam a ver navios não é a imunidade à preguiça ou ao cansaço. Mas sim, a capacidade de perseverar mesmo quando não queremos.

Não consigo contabilizar a quantidade de vezes que pensei em desistir da minha preparação para o vestibular. Ou de praticar Inglês quando não conseguia nem assistir uma série sem legenda.

E o menino Marco Aurélio sabia disso e constantemente se auto motivava.

Talvez isso seja exatamente o que algumas pessoas precisam ouvir para dar aquela acordada na vida. Nós temos que levantar da cama e agir. Agora é a hora. Ninguém sabe do amanhã. Temos que pensar no hoje e agir.

E se você realmente ama o que faz, não há sono ou fome ou dor que irá ficar no seu caminho. E sei disso por experiência própria. As vezes me pego trabalhando 16 horas por dia simplesmente porque não consigo parar.

Descobrir o que ama é uma tarefa que assola muitos jovens hoje em dia. Porém, fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes não irá ajudar. Se inspire em grandes nomes, ídolos e pensadores e procure novas atividades.

Se não lê, leia.

Se não medita, tente meditar.

Se não pratica esporte, comece a praticar alguma coisa.

Se não estuda X, Y ou Z, dê uma chance.

As vezes a gente precisa de um chacoalhão a la Marco Aurélio para tirar a gente da cama. Quisera eu ter tido a habilidade dele de se auto chutar a bunda para levantar quando era mais novo.

Atualmente, criei um blog e comecei a escrever – algo no mínimo não natural para um cientista de dados que mal sabia fazer uma redação na escola.

E você?

O que gostaria de fazer e não está fazendo?

E por que não está fazendo?

Que tal tentar praticar agora neste exato momento?

0 comentário em “Estoicismo – o imperador também tinha preguiça

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: