Livros resenha

Resenha do livro “A lógica do Cisne Negro” de Nassim Taleb

As coisas que não sabemos que não sabemos, ou seja, nem imaginamos que irão acontecer podem se tornar eventos marcantes em nossas vidas. E Taleb sabe bem disto.

Como ganhadores de prêmio Nobel podem estar completamente enganados.

AutorNassim Nicholas Taleb
OrigemLíbano/EUA
Ano2007
Nota no GoodReads3.93/5.00
Nota do Aprendiz Moderno8/10
Ficha Técnica

As coisas que não sabemos que não sabemos, ou seja, que nem imaginamos que irão acontecer, podem se tornar eventos marcantes em nossas vidas.

E Taleb sabe bem disto.

Será que dá para prever uma crise?

Será que era possível antecipar os crescimentos incríveis da Amazon, Facebook e Google?

Será que conseguiríamos prever uma pandemia global?

A lógica do Cisne Negro escrito por Nassim Taleb é uma das leituras mais populares entre pessoas do mercado financeiro. E neste livro, Taleb consegue unir a praticidade da filosofia do cotidiano ao complexo tema da estatística. Mostrando como eventos raros fazem parte das nossas vidas.

Traders em seu habitat natural os antigos pregões da bolsa de valores. Telefone na mão, ambiente barulhento e estressante. Local onde Nassim Taleb iniciou sua carreira nos anos 70.

Nassim Taleb é um filósofo e autor um tanto quanto diferente. Ele foi trader no Wall Street – o centro financeiro do mundo – antes de largar tudo para virar um pensador e atualmente professor. O trader nada mais é que uma das profissões iniciais da carreira de mercado financeiro.

Neste livro, Nassim cunha o termo que é hoje amplamente usado entre economistas quando se referem a crises: o Cisne Negro (sim, com letra maiúscula).

Cisne Negro nada mais é que um evento extremamente raro – afinal até meados do século XVII um cisne negro (o animal) era algo inexistente. Foi então que um grupo de exploradores encontrou um na Austrália.

Ou seja, até aquele momento, todo cisne era branco e um cisne negro era algo inimaginável. Da mesma forma, hoje temos eventos como as crises econômicas e pandemias como o COVID-19 que eram eventos imprevisíveis dada a baixa probabilidade de acontecerem.

Neste livro, Nassim usa seu humor ácido sem papas na língua para apontar vícios e erros que os seres humanos tendem a cair devido a nossa própria natureza.

Abaixo listo meu top 5 aprendizados do livro

O problema do Cisne Negro ou aprendendo com o peru de Natal

O peru de Natal por mais esperto que seja não consegueria imaginar seu futuro.

O Cisne Negro nada mais é que um ponto fora da curva, com impacto extremo e que só conseguiríamos explicar após o acontecido (o efeito do espelho retrovisor ou da explicabilidade retrospectiva).

O que a Primeira Guerra Mundial, o atentado de 9 de setembro nos EUA e a pandemia do COVID-19 têm em comum?

Todos esses eventos marcaram nossa história.

E, antes de acontecerem, eram situações inimagináveis dadas as suas probabilidades ínfimas. Tão ínfimas que poucos sequer leveram em conta.

Agora imagine a seguinte situação:

Um peru (o animal, não o país) vivendo na fazenda. Ele é alimentado todos os dias do ano pelo seu dono, o bondoso fazendeiro. A cada dia que ele é alimentado ele vive uma vida ótima. Um gráfico de sua felicidade vs tempo mostra que todos os dias pelos últimos 1500 dias ele é feliz e saudável.

E derepente chega a véspera de Natal. O que acontece? Sua vida acaba ali.

A vida de um peru. Seu histórico não reflete em nada a perspectiva futura. Um ótimo exemplo de um Cisne Negro.

Observando o gráfico de sua vida pelo tempo era impossível dizer – pelo menos do ponto de vista do peru – que algo tão drástico iria acontecer. A falta de conhecimento (ou a razão pela qual o fazendeiro o alimentava todo dia) tornou o evento Véspera de Natal totalmente imprevisível.

Isso é um Cisne Negro.

Se o peru fizesse uma apresentação institucional aos outros perus explicando sua vida na fazenda, mostraria como a vida é excelente e a felicidade reina. Nada de ruim poderia acontecer dada o execelente histórico do fazendeiro.

E é a falta de conhecimento sobre o futuro o faz cair nesta falácia. Uma situação completamente desconhecida para o peru, pode transformar completamente a interpretação do gráfico.

Quanto mais aberta for a sua cabeça a novas informações menos você cairá em falsas interpretações. Porém sempre existirão eventos únicos nunca antes vistos que estarão fora do nosso radar.

O risco está nas coisas que não sabemos que não sabemos.

E da mesma forma que o Cisne Negro pode ser algo negativo ele também pode ser algo positivo. Como a invenção do computador ou da internet. Ambos não foram planejados e foram pouco apreciados no começo.

Algo que na época ninguém poderia imaginar o impacto que teria na sociedade.

O Extremistão e o Mediocristão

Os dois países imaginários de Taleb. No Extremistão, uma pequena porcentagem das pessoas detém a maioria dos resultados. No Mediocristão, a média dos resultados é mais forte. Foto por Peter H

O autor descreve no livro uma metáfora interessante sobre dois países: o Mediocristão e o Extremistão.

No Mediocristão, todas as variáveis são como o peso das pessoas. Ao medirmos uma grande quantidade de amostras conseguimos ter uma noção muito clara sobre a média da variável em si.

Por exemplo, se medirmos o peso de 100 pessoas em uma região, conseguimos estimar facilmente o peso médio da população ali.

Afinal, uma pessoa com um peso fora da curva – seja um lutador de sumo ou uma modelo magrinha – não irão afetar a média tanto assim se tivermos uma amostragem alta.

Já o Extremistão é onde encontramos os Cisnes Negros. Onde as variáveis que não são tão facilmente estimadas.

Por exemplo, a conta bancária das pessoas.

Se eu medir a conta bancária de mil pessoas e tirar a média terei um valor que pode ser bem diferente se eu adicionar uma pessoa a mais e essa pessoa for o Bill Gates.

Mesmo que eu tire a média das contas bancárias de 1 milhão de pessoas, se eu adicionar o titio Bill a coisa muda completamente.

Ou seja, no Extremistão, não podemos tirar conclusões sobre as coisas sem ter conhecimento sobre todo o grupo.

E segundo o autor, nós vivemos no Extremistão.

Portanto, por mais que façamos análises complexas com grandes históricos de dados, sempre haverá a chance de uma nova amostra mudar completamente os resultados. Podemos tentar nos preparar da melhor maneira, mas há coisas sobre as quais não temos controle.

Segundo Taleb, previsões não são confiáveis no Extremistão, ou seja, no mundo real.

Os erros mais comuns ao se ignorar um Cisne Negro

Ignorar o Cisne Negro é tomar um risco desproporcional à situação. Foto por Sarah Richter

Segundo o autor, há cinco erros comuns que nós caímos ao ignorar um Cisne Negro (evento extremamente raro e imprevisível):

1. Nós nos concentramos em certas coisas que vemos e generalizamos a partir delas para o que não vemos: o erro da confirmação.

Tendemos a ignorar coisas que não entendemos e olhar para as coisas que confirmam nossa opinião.

Não somos bons em lidar com incertezas, então acabamos focando demasiadamente em pontos da história que confirmam a situação a partir do nosso ponto de vista.

Acabamos muita vezes ignorando pontos essenciais que tornam uma situação imprevisível.

Por exemplo, quando vamos ao médico e não há evidência de nenhuma doença. Muitos tendem a pensar que estão livres da doença.

Porém, o fato de não haver evidência da doença não significa que há evidência de não ter a doença. Isto é o erro da confirmação.

2. Nós nos enganamos com histórias que nos ajudam a encontrar um padrão: a falácia narrativa.

Utilizamos histórias para nos enganar já que elas fornecem um padrão para o nosso cérebro.

Por exemplo, qual das histórias abaixo é mais provável de acontecer?

  1. João parecia ter um casamento feliz com Maria. Logo em seguida, ele mata a esposa.
  2. João parecia ter um casamento feliz com Maria. Logo em seguida, ele mata a esposa para ficar com a herança dela.

Para nós, a segunda história parece mais provável já que tem mais detalhes. Mas na verdade a primeira história é mais provável, pois abrange um número maior de situações.

Afinal, na primeira história João poderia ter tido muitos outros motivos. Essa é a falácia narrativa.

3. Nós nos comportamos como se eventos imprevisíveis não existissem: o ser humano não foi programado para antecipar Cisnes Negros.

Um músico que está em uma jornada para se tornar um grande sucesso pode ser visto como uma pessoa mal sucedida já que está sacrificando a percepção de sucesso presente para uma chance de grande fama no futuro.

Já o professor de música que tem seu salário regular consegue manter um padrão de vida maior e parece, para quem vê de fora, que é mais bem sucedido.

A natureza humana não premia o tomador de risco, o empreendedor. Muitas vezes ficamos presos no presente e ignoramos possibilidades futuras. E depois ficamos espantados com pessoas que tiveram sucesso “de repente” após anos de trabalho.

“O sucesso do dia pra noite demora 10 anos para acontecer.”

Jeff Bezos

4.  A história nos oculta os Cisnes Negros e transmite uma percepção errada sobre as probabilidades dos eventos acontecerem: essa é a distorção da evidência silenciosa.

 Vemos apenas um lado da moeda.

Por exemplo, Bill Gates fundou a Microsoft e se tornou um milionário mesmo largando a faculdade. Ouvimos muitas histórias de pessoas que largaram a faculdade e ficaram ricas.

No entanto, isso é uma informação distorcida, afinal as pessoas que largaram a faculdade e deram errado não estão compartilhando suas histórias com o mundo.

Temos uma lista de ricos, mas não mantemos uma lista dos que ficaram pobres. Esse é o problema da prova silenciosa.

5.   Nós nos concentramos demais em poucas fontes de informação e ignoramos os Cisnes Negros que estão ao nosso redor.

O melhor exemplo para explicar esse ponto é dado no livro. Os cassinos de Las Vegas uma vez chamaram Nassim para compartilhar seus conhecimentos sobre probabilidade a fim de ajuda-los a evitar perdas com jogadores profissionais de cassinos (tipo no filme Quebrando a banca).

Porém um casino perdeu mais de 100 milhões de dólares quando um artista de um dos eventos mais populares foi atacado pelo seu tigre de estimação – o tigre vivia com o artista desde pequeno e dormiam no mesmo quarto.

Ninguém pensou em fazer um seguro antes que isso tivesse acontecido. As vezes ignoramos completamente possibilidades por não termos muita informação sobre algum evento.

Focar apenas no que vemos e ignorar o que ninguém está olhando é um erro que nos torna suscetíveis a Cisnes Negros.

4. Como transformar Cisnes Negros em Cisnes Cinzentos

Nem todo evento raro é impossível de se prever. Nem todo Cisne Negro é realmente um Cisne Negro.

Um Cisne Negro é caracterizado pelo fato de ser impossível de se computar sua probabilidade de ocorrência, ou seja, não sabemos quando irá acontecer e não temos como saber.

No entanto, muitos eventos – por mais raros que possam parecer – ainda são passíveis de serem antecipados. Segundo o próprio Taleb, a epidemia do coronavírus – por mais improvável que fosse – não necessariamente é considerado um Cisne Negro.

Afinal, tínhamos ferramentas para prever isso e o próprio Bill Gates falou em uma palestra em 2015 alertando sobre os riscos de um vírus mortal.

No livro, o autor entra em detalhes em uma discussão muito interessante sobre como ele é contra curvas gaussianas (pessoal de exatas manja), uma definição estatística que é base de muitos teoremas econômicos.

Citando como exemplo muitos dos economistas que ganharam prêmios Nobel como Myron Scholes e suas falhas. Scholes foi fundador de um grande fundo de investimentos que foi a falência total em 1998 durante um Cisne Negro.

Não irei entrar em detalhes, mas recomendo a leitura dos capítulos mais técnicos se você curte probabilidade e estatística.

Como sugestão ele cita uma outra teoria de um dos seus mentores: Benoît Mandelbrot matemático francês criador da teoria dos fractais ou aleatoriedade fractal. E sugere que esta teoria é capaz de modelar muitos dos “Cisnes Negros” fazendo com que deixassem de ser Cisnes Negros, afinal um Cisne Negro não é possível de se modelar.

Ele então cunha o termo Cisne Cinzento – é tipo um Cisne Negro, evento raro e impactante, porém modelável, ou seja, conseguimos tormar algumas providências a seu respeito.

O mais importante é compreender o valor do conhecimento. Quanto mais conscientes formos a respeito do que não sabemos, menos vulneráveis nos tornamos aos Cisnes Negros.

Ou seja, no momento que temos conhecimento sobre como funciona, não é mais um Cisne Negro, é um Cisne Cinzento.

Da mesma forma, se o peru de natal soubesse o porquê de estar sendo alimentado, a Véspera de Natal deixaria de ser um Cisne Negro.

5. Como agir quando estiver ao redor de Cisnes Negros

Segundo Taleb, temos que ter uma atitude convexa com relação aos riscos seja nos investimentos como na nossa vida.

Uma atitude convexa é uma atitude em formato de U, ou seja, de um lado colocamos nosso investimento seja de tempo, dinheiro ou qualquer outro recurso em algo hiper conservador.

E do outro lado separamos uma parcela pequena para algo hiper arriscado. Evitando sempre o “meio termo”.

Esse processo também é chamado de estratégia Barbell e já descrevi neste post aqui.

E por que isso funciona?

Se pararmos para pensar, investir nosso dinheiro ou tempo em algo de médio risco é na verdade super arriscado!

Quem definiu que o risco deste investimento é médio?

Será que a pessoa pensou nos Cisnes Negros?

Provavelmente não, afinal ninguém sabe qual a probabilidade de um Cisne Negro acontecer.

Certas crises econômicas são impossíveis de prever. Conseguimos ter uma noção do que pode acontecer, mas não é possível calcular sua duração, impacto ou data em que irá acontecer.

Logo, qualquer um que afirme qualquer coisa sobre algo mais ou menos arriscado está totalmente enganado.

Utilize a estratégia Barbell e coloque a maioria dos seus recursos em algo mais conservador possível como:

  • Investimentos em tesouro do governo brasileiro ou americano
  • Invista boa parte do seu tempo em atividades com retorno garantido (estudar, trabalho das 9-17h, vender produtos, etc)
  • Invista boa parte das suas escolhas em habilidades que já foram comprovadas que trazem retorno (programação, falar Inglês ou Espanhol, fazer faculdade, aprender música, etc)

E dedique uma pequena parte para coisas extremamente arriscadas, porém alinhadas com seus desejos:

  • Criar uma banda que ensaia após o trabalho.
  • Criar um canal do YouTube no seu tempo livre.
  • Estudar um tópico ainda desconhecido por muitos.
  • Ser pioneiro em uma área de pesquisa.
  • Investir em uma empresa inovadora.

Sabendo balancear o seu tempo/dinheiro de modo correto, as chances de se proteger de Cisnes Negros (negativos) aumenta consideravelmente. E arriscando um pouco, você se abre a possibilidades de Cisnes Negros positivos (a banda de sucesso, a digital influencer com milhões de seguidores, a empreendedora, a inovadora de uma área, etc)

 Conclusão

Cisnes Cinzentos são aqueles eventos que nós sabemos que não sabemos. Coisas que não sabemos as respostas, no entanto temos plena consciência disto.

Já os Cisnes Negros são as coisas que não sabemos que não sabemos. Situações que não conseguimos prever, pois nem mesmo levamos em conta nos nossos planos.

Neste livro, Nassim Taleb nos faz refletir sobre como vemos a vida e como muitas vezes deixamos de levar em conta que muitas coisas podem acontecer tanto para o bem como para o mal.

O maior e melhor exemplo é a nossa própria existência.

“Imagine uma partícula de poeira ao lado de um planeta bilhões de vezes o tamanho da Terra. A partícula de poeira representa a probabilidade a favor de seu nascimento; o planeta gigantesco seria a probabilidade contra. Portanto, deixe de se preocupar com coisas pequenas. […] lembre-se de que você é um Cisne Negro.”

Nicholas Nassim Taleb

Se pararmos para pensar, o fato de estarmos vivos é uma consequência de diversos eventos improváveis – seus pais terem se encontrado, você ter sobrevivido aos primeiros anos de vida, nenhuma das doenças terem te afetado, etc – que muitas vezes simplesmente aceitamos como fatos.

Será que ficar triste por ter um dia ruim, uma rejeição amorosa ou um problema financeiro faria sentido se parássemos para analisar a probabilidade real do simples fato de estarmos vivos?

Sobre o autor

Nassim Nicholas Taleb – Fonte: Wikipédia

Nassim Nicholas Taleb é um filósofo, estatístico, acadêmico e ex-trader no Wall Street. Nascido no Líbano, se mudou para os Estados Unidos quando jovem devido à guerra em seu país natal.

Iniciou sua carreira no mercado financeiro e após alguns anos largou para se dedicar ao estudo da probabilidade e filosofia. Seus livros são aclamados por uma legião de fãs no mundo dos investimentos.

Alguns de seus livros são “Antifrágil“, “Arriscando a própria pele” e “Iludidos pelo acaso“.

Professor em gestão de risco em diversas universidades americanas ficou conhecido por suas críticas pesadas a economistas contemporâneos e aos métodos utilizados no mercado finaceiro. Alertou sobre diversas crieses inclusive sobre a crise de 2008 e possíveis pandemias.

Seus livros são conhecidos pelo humor ácido e críticas diretas a seus pares.

DESAFIO DO APRENDIZ MODERNO: Ler a introdução do livro A Lógica do Cisne Negro(de graça no site da Amazon) e pensar como você pode se tornar antifrágil, ou seja, como se beneficiar de Cisne Negros como a situação do coronavírus no Brasil em 2020.

Comente o que achou desta análise!

Clique no ícone para ir ao site da Amazon Brasil comprar o seu!

0 comentário em “Resenha do livro “A lógica do Cisne Negro” de Nassim Taleb

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: