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5 dicas que não usei para passar no vestibular da USP

Dicas que não usei, mas que gostaria de ter recebido quando estava nesta fase.

Mas que gostaria de ter usado

Ah o vestibular!

Uma hora ele chega e é o temor e o sonho de muitos jovens.

Por um lado, a expectativa de estudar em grandes universidades, por outro lado o medo de não passar e ficar a ver navios.

Eu passei por isso e sei bem como é.

Este ano fazem 10 anos de quando eu entrei na famigerada Escola Politécnica da USP. Uma das melhores instituições de ensino da América Latina. E acredito que seja uma das que exigem maior dedicação (tive que fazer por merecer aquele diploma).

Eu usei todos os meus recursos para conseguir passar e foram rotinas que chegaram a 16 horas de estudo por dia de segunda a sábado.

E antes que alguém se desespere por não estar estudando todas essas horas, gostaria de deixar alguma dicas que eu não usei, mas se tivesse usado o processo talvez tivesse sido menos doloroso – não que eu quisesse voltar no tempo e mudar – pois todo o esforço foi recompensado ao longo dos últimos 10 anos.

1- Tenha um plano realístico

O primeiro passo é traçar um plano levando em conta seus pontos fortes e fracos além do tempo disponível para estudar. Foto por Pexels.

Eu até que usei essa dica. Foi talvez uma das coisas mais espertas que eu fiz.

Simplesmente, cheguei no começo de Janeiro do ano de preparação para o vestibular e tracei um plano realístico vendo todas as oportunidades e desafios que teria pela frente.

Foquei muito no meu forte que eram as matérias exatas (matemática, física e química) com uma carga horária altíssima e aproveitei o pouco que eu sabia de humanas (história e geografia) para dar aquele gás na nota que me faria passar.

O plano era não desistir no meio do caminho e focar naquilo que sabia que iria me ajudar a passar.

No entanto, o que eu sugeriria para o xóven Aprendiz Moderno teria sido olhar mais profundamente os desafios e torna-los oportunidades.

Sim, uma situação problemática e desafiadora pode ser uma oportunidade se você colocar o mindset correto:

Como eu via:

  • Competição desleal – eu estudei em escola pública enquanto tinha pessoas que estudavam em escolas caríssimas de São Paulo com muito mais acesso à educação.
  • Eu morava na periferia de São Paulo e o trajeto entre escola e casa era de 1h30 com 1 ônibus e 2 metrôs.
  • Eu não tinha muita motivação para isso. Afinal, entrar na Poli significariam 5 ou mais anos sem muita grana já que era uma faculdade integral.

Como eu deveria ter visto:

  • Estudar em escola pública me ajudou a flexibilizar a agenda e pude balancear meus estudos para o vestibular gastando o mínimo de tempo em matérias que não iria focar naquele ano. Afinal, se o professor faltasse era uma oportunidade ótima para ficar estudando sem ninguém encher o saco.
  • O trajeto de 3h por dia me disciplinariam a acordar cedo (já ouviu aquela história da turma que acorda 5am? Então…) e ter uma rotina matinal para colocar meu dia no eixo. Além de 3 horas para poder praticar/ler.
  • Se eu soubesse pelo menos uma fração do que a faculdade iria me proporcionar nos anos vindouros, eu realmente não teria do que me preocupar.

Ou seja, liste todos seus problemas atuais.

Sim, coloque tudo no papel.

Não! Não é pra colocar no celular é no papel mesmo – old school – e tente transformá-los em oportunidades.

Cada situação tem um lado bom e ruim dependendo de como olhamos. Na verdade, as situações não tem nem lado bom nem ruim a gente que escolhe.

Então escolha o lado bom das coisas e use isso a seu favor.

2- Entenda como o cérebro funciona

Etenda como o cérebro funciona. Como a nossa memória é afetada pelo sono, nutrientes e motivação. Foto por aytuguluturk

Uma área que negligenciei completamente naquela época e só fui aprender depois de velho era Biologia. Nós somos humanos e o corpo/mente humana é constantemente estudado por diversos especialistas.

Cabe a nós ouvir o que eles têm a dizer e aplicar esse conhecimento no nosso dia a dia.

Já escrevi sobre isso neste post aqui, mas em linhas gerais tente entender como o cérebro e a memória de curto e longo prazo funcionam.

Saber os mecanismos para “gravar” informação na memória e depois “reaver” essa informação é importantíssimo para ter sucesso no vestibular.

Algumas dicas:

  • Flashcards – entenda por que eles funcionam e como utilizá-los.
  • Nutrição – entenda quais nutrientes seu cérbero necessita e como adicioná-los na sua dieta.
  • Sono – Talvez o mais importante: ENTENDA A FUNÇÃO DO SONO! Não vou nem entrar nos detalhes aqui, pois daria para escrever um livro sobre como o sono influencia na sua capacidade de raciocínio e memorização.

Lembro que um veterano me deu a dica de não tomar álcool durante o ano de preparação e talvez esse tenha sido a única coisa que utilizei na questão de nutrição.

Com relação a memorização utilizei a meu favor o fato de que tinha lido centenas de livros quando era menor e isso me ajudou muito na hora de memorizar as coisas.

E domingo era sagrado para descansar.

Eu fiz várias coisas que me contaram, mas nunca tinha ido pesquisar o porquê.

Então, pesquise dicas para o vestibular, entenda porque elas funcionam e como elas se alinham com a sua estratégia (oportunidades).

3- Vestibular não é uma prova

Vestibular não é sobre o conhecimento. É sobre disciplina e conseguir superar seus limites – poderia muito bem ser uma prova de plantar bananeira. Foto por Maurice Müller.

Muitas pessoas pensam que vestibular é uma prova. Outras ainda acham meio besta você ter que memorizar tanta coisa que nunca mais vai usar na vida.

E na verdade – em termos de conteúdo – muita coisa eu esqueci mesmo. E nunca usei na vida profissional.

A única razão para você fazer o vestibular é o fato de que todos – sim, TODOS – que entram na faculdade passaram pelo vestibular.

Se o vestibular fosse plantar bananeira por 50 minutos, você teria que plantar bananeira por 50 minutos. Pode parecer inútil e um feito que não mostra se você é melhor ou pior que os outros concorrentes. Mas é o que é.

Há coisas na vida que podemos mudar. O processo para ter a chance de estudar em uma universidade pública, não.

Vestibular é sobre vencer uma barreira psicológica.

Acredito que muitos dos que não passam tem conhecimento mais do que de sobra para entrar nos cursos. Porém, muitas vezes o fator psicológico e da emoção acabam pesando.

E como eu sempre digo, isso é algo que dá para treinar. Seja fazendo simulados com provas antigas ou meditando.

Meditação é uma ferramenta que te ajuda a praticar a separação entre o momento presente e as suas emoções. E isso, jovem gafanhoto, na hora H do vestibular pode ser chave.

Como mencionei acima, entender como o cérebro funciona é fundamental – nervosismo + fadiga mental = resetar o cérebro.

Entenda como o fator psicológico afeta sua performance no vestibular. E pratique esta parte também.

Alimentação, exercícios físicos (corrida, academia, luta, etc) e exercícios mentais (ioga, mindfulness, meditação, etc) são a chave para performance. Não deixe nenhuma dessas coisas de lado. Afinal, vestibular não é só sobre conhecimento.

4- Disciplina e rotina matinal

Sua rotina matinal dita o ritmo do seu dia. Seja disciplinado e tenha uma rotina bem definida. Isso te poupará energia mental para o resto do dia. Image by Irina L.

Mas o que o café da manhã tem a ver com passar no vestibular? No meu caso, tudo.

Uma coisa que eu fazia meio que no automático era a minha rotina matinal: acordar no mesmo horário 4:40am, fazer o café que eu já deixava no jeito no dia anterior, comer alguma coisa e ir pro ponto com meu fone de ouvido ouvindo sempre as mesmas músicas.

Isso me deixava no mindset correto e creio que boa parte da minha performance se deveu ao fato de eu ter tido uma rotina bem disciplinada.

Além de que isso te poupa de gastar energia com decisões logo pela manhã. Você acorda com um plano já em mente e executa sem pensar.

Desenvolva uma rotina e distribua suas horas de estudo de maneira inteligente. Uma vez definida sua carga horária de estudos e foco, não desista!

Continue se esforçando e a autodisciplina se converterá em resultados.

5- Motivação

Uma parte dos resultados veio da minha disciplina interna, mas uma parte maior veio da motivação por fatores externos. Minha mãe sempre me deu o suporte que precisei e a motivação nos dias ruins.

E sim, os dias ruins… Eles vêm.

E eles também se vão. E ter com quem contar nesses momentos pode ser muito bom. Não necessário, pois se seguir sua rotina com disciplina, planejamento e entendendo como as coisas funcionam os resultados vão vir.

No entanto, ter aqueles com quem contar nas horas de aperto pode ser uma ajuda extra super bem vinda. Cada um tem uma forma de se motivar, eu usava muito a visualização. Não sei de onde veio isso, mas uso desde criança.

Visualização

A visualização é imaginar os resultados acontecendo.

É imaginar no detalhe como seria as sensações quando a vitória acontecer, quando os resultados aparecerem.

É imaginar o futuro de uma maneira positiva em que os seus sonhos se realizam na sua frente e você está neles.

E não é só sonhar acordado, mas sentir aquilo se tornar real. Estar imerso nas sensações da mesma forma como uma criança interagindo com seus brinquedos.

Veja a criança brincando sozinha, em sua cabeça os brinquedos tomam vida e aquilo não só parece como passa a sensação de ser real.

Lembro de passar horas conversando com a minha mãe sobre como seria a minha vida após passar no vestibular, as coisas que alcaçaria e como a vida seria diferente.

Pode parecer estranho, mas o poder da visualização é real e utilizado por muitas pessoas bem sucedidas. E eu uso até hoje.

Busque jeitos de se motivar nos dias ruins, pois eles virão. Saber reconhece-los e apreciá-los é imprescindível para se manter na rotina e não desistir.

É usar mecanismos próprios para contornar as sensações de impotência e torna-las em situações alegres e positivas.

Nem que seja apenas visualizando como o mundo será quando você alcançar seus objetivos.

Conclusão

O vestibular é um desafio, e como qualquer desafio é um obstáculo a ser superado trazendo consigo uma grande conquista. Foto por Shad0wfall.

A época do vestibular foi um marco da minha vida. Diria que as transformações que passei nessa época ainda se refletem na minha vida atual.

Saber apreciar os momentos difíceis e marcantes da vida não é um dom, é uma necessidade. E é fácil fazer uma vez que você encara a vida com a mentalidade correta.

Afinal até o Marco Aurélio, imperador do maior império da humanidade tinha dificuldades para levantar da cama as vezes.

E o que torna a vida incrível é superar esses momentos encarando-os de frente sem deixar as emoções negativas tomarem conta.

Sim, é natural sentir medo, desespero, frustração. Mas o que torna a gente capaz de vencer é superar cada uma dessas emoções.

As dicas acima não só servem para quem passa por época de vestibular, mas por qualquer época em que estamos sendo desafiados.

E você? Passou por alguma situação desafiadora?

2 comentários em “5 dicas que não usei para passar no vestibular da USP

  1. Henrique Volpi

    Muito bacana a sua jornada. Errei neste ponto. Eu estudava muito mais as matérias que eu era fraco. A melhor opção de fato é ficar craque no que se sabe e “buscar pontos fora de casa ” nas outras matérias!

    Curtido por 1 pessoa

    • Focar no que se sabe muitas vezes traz mais resultados. O próprio Peter Drucker já dizia “foque nas forças e ignore as fraquezas para se tornar mais efetivo”.

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