Conhecimento Inteligência Emocional

5 pilares da Inteligência Emocional

Os cinco pilares da Inteligência Emocional e como você pode adquiri-los

Daniel Goleman e o conceito de Inteligência Emocional

Em 1995, o jornalista americano Daniel Goleman publicou um livro chamado Inteligência Emocional (Emotional Intelligence). E este livro ficou na lista dos mais vendidos do The New York Times por mais de um ano.

E daí surgiu um movimento de questionar o que os especialistas da época achavam: que o QI (Quociente de inteligência) era a única medida que distinguia os executivos de grandes empresas dos demais funcionários.

Inúmeras pesquisas foram feitas em diversas empresas com diversos líderes e a conclusão foi de que QI importa sim. Se dedicar a aprender uma habilidade técnica é importante. Mas não é o único fator que levou líderes ao sucesso.

Outro fator comum a todos os líderes bem sucedidos, aqueles que chegaram ao topo e produziram grandes resultados, é um grande nível de Inteligência Emocional.

Para crescer na carreira, é imprescindível obter diversas habilidades ao longo da vida.

É o famoso conhecimento em formato de T: uma habilidade central que conhecemos a fundo cercada por outras habilidades complementares que nos ajudam a nos diferenciar no mercado de trabalho.

Inteligência Emocional é a habilidade central dos grandes líderes e CEOs do mundo moderno.

O que é Inteligência Emocional?

Inteligência Emocional pode ser definida como um conjunto de três habilidades:

  • Ter a capacidade de reconhecer suas emoções e das pessoas ao seu redor
  • Saber administrar estas emoções de forma a guiar seus pensamentos e atitudes a seu favor
  • Ser capaz de ajustar suas emoções para se adaptar a diversas situações ou atingir objetivos.

De acordo com um dos autores referência no assunto, o Daniel Goleman jornalista e escritor do livro Inteligência Emocional (bestseller no The New York Times), existem cinco pilares da Inteligência Emocional (IE).

Ele analisou diversas executivas de grandes empresas multinacionais e quais os traços comuns nestas líderes.

Suas pesquisas o levaram a afirmar que IE provavelmente seja a habilidade comum a todas as grandes líderes e talvez um grande diferencial para o futuro.

IE não é só sobre controlar a raiva no ambiente de trabalho ou se dar bem com as pessoas do seu time. É sobre entender suas emoções e das pessoas ao seu redor o suficiente para movê-las na direção que irá atingir os objetivos.

Abaixo listo os cinco pilares da Inteligência Emocional e como eles podem te auxiliar em sua carreira.

1. Autoconsciência

Autoconsciência é conseguir olhar para dentro de si e fazer uma avaliação constante de como suas emoções afetam seu trabalho. Foto por Roberto Delgado

Autoconsciência é a habilidade de reconhecer seu humor e como ele afeta as pessoas ao seu redor. E isso não significa ser aquela pessoa do escritório que é sempre alegre e cheia de energia e que nunca está estressada.

É simplesmente ser honesto com você mesmo e saber como seus sentimentos estão afetando sua performance no trabalho e/ou a performance do seu time.

Por exemplo, uma pessoa que sempre se planeja e faz o trabalho adiantado porque sabe que entregar as coisas de última hora a deixam extremamente ansiosa ou estressada.

Autoconsciência significa ter plena consciência das suas emoções, forças e fraquezas.

Uma pessoa autoconsciente é capaz de saber para onde sua carreira está indo. Quais são as coisas que gosta e as que não gosta de fazer. É aquela pessoa que recusa um trabalho que paga mais, pois sabe que ele não é alinhado com seus valores. “Vou me estressar muito mais e vou ser infeliz”.

Desta forma, a pessoa é capaz de estar sempre alinhada com seus valores como família, equilíbrio entre trabalho e vida social, liderança, ascensão rápida da carreira ou uma combinação destes.

Para nos tornar mais autoconscientes precisamos:

  1. Entender nossos sentimentos.
  2. Entender como eles afetam as pessoas ao nosso redor.
  3. Estar abertos a conversar sobre isso.

Falar sobre sentimentos e emoções não necessariamente é algo confortável de se fazer. Ainda mais em um ambiente de trabalho. Algumas situações oferecem uma oportunidade de falar sobre isso como análises de performance anuais com sua chefe ou time.

Estar confortável em falar sobre seus pontos fortes e principalmente os pontos fracos é a chave para se tornar autoconsciente. Saber que você está sentindo raiva, ou medo ou frustração e poder comunicar isso as pessoas é algo poderoso.

Pessoas com esse conhecimento são capazes não só de entregar mais, pois estão se antecipando a situações, mas também possuem mais autoconfiança afinal tem plenos conhecimentos sobre suas forças e fraquezas.

Avaliar a si mesmo de maneira honesta é o primeiro passo para se tornar mais inteligente emocionalmente.

2. Autocontrole

Ter autocontrole é saber usar os seus impulsos emocionais a seu favor. Não deixar emoções te atrapalharem mas sim te motivarem se alcançar mais resultados. Foto por Luke Porter

Nossas emoções são impulsos biológicos. E eles vêm de uma parte mais profunda do cérebro, ou seja, tão automático quanto respirar.

E isso torna o controle sobre estes impulsos em uma habilidade. Logo, exige prática e plena consciência do processo. Impulsos necessitam de um gatilho. Uma situação ou sensação que inicia a sequência de sentimentos.

Por exemplo, ver um bebê e se sentir feliz. Ou abrir aquele e-mail pela manhã que estraga o seu humor pelo dia todo.

Estes gatilhos estão presentes no nosso dia a dia.

Autocontrole é a habilidade de controlar ou guiar estes impulsos para algo produtivo.

A chave para o autocontrole é saber olhar para dentro de nós mesmos e manter este diálogo interno onde avaliamos constantemente nossos impulsos e emoções e tentamos decifrar os gatilhos e resultados destas emoções.

Pessoas com autocontrole sentem raiva, medo, frustração da mesma forma que pessoas que qualquer um. Porém, elas têm um plano e sabem o que fazer quando tais emoções aflorarem.

Por exemplo, uma gerente que viu seu time falhar na entrega de um projeto importante pode ter um ataque de raiva – ou pior – manter aquele olhar de desprezo para o time. Tudo devido às emoções naquele momento: raiva e frustração.

Ou sabendo que talvez ali não seja o momento, tira um tempo para respirar e refletir sobre como endereçar a performance fraca do time de maneira profissional e com calma para que isso se converta em algo de valor para todos.

Para se obter mais autocontrole, devemos nos atentar a três sinais claros:

  • Estar disposto a refletir sobre suas ações e comportamentos constantemente.
  • Estar confortável com mudanças e incertezas no ambiente de trabalho.
  • Ser íntegro e saber dizer não para impulsos emocionais.

Pessoas que possuem mais autocontrole criam um ambiente de confiança para os colegas de trabalho ao seu redor.

E confiança gera mais resultados, pois pessoas que não confiam nos colegas, na chefe ou na empresa tendem a se preocupar mais em se proteger do que em produzir.

3. Motivação

Motivação é o combustível das grandes líderes. É o que dá energia para perserverar em momentos de dificuldades. Foto por photo-nic

Neste contexto, motivação pode ser definida como uma paixão pelo que se faz que é independente de fatores externos como dinheiro ou status.

É estar empolgado e energizado com a vontade de resolver um desafio por si próprio.

Motivação é estar propenso a atingir um objetivo com energia e persistência.

Pessoas com alto grau de IE são naturalmente motivadas.

E como saber se estamos sendo motivados pelo desafio ou por fatores externos?

Pessoas motivadas pelo desafio demonstram uma paixão pelo trabalho. Estão sempre buscando novos caminhos, amam aprender mais sobre o assunto e tem orgulho do que fazem.

São pessoas que estão sempre questionando e nunca aceitando. Sempre buscando elevar a qualidade do seu trabalho para novos patamares.

Trabalhar com pessoas assim é não só prazeroso como também motivador. Ver alguém perseguindo uma paixão é algo contagioso e que nos move na mesma direção.

Afinal o ser humano não foi feito para aceitar o medíocre e sim para se desafiar constantemente.

“Escolha não ser prejudicado – e você não se sentirá prejudicado. Não se sinta prejudicado – e você não será.” – Marco Aurélio

A motivação junto com o autocontrole permite que nós possamos nos desafiar e ao mesmo tempo estarmos preparados para lidar com as falhas e erros.

Como os filósofos do estoicismo sugeriram: a vida é cheia obstáculos e os obstáculos são a vida. O importante é como encaramos a situação.

4. Empatia

Empatia é ter consciência de que pessoas diferentes possuem reações emocionais diferentes a um mesmo discurso. Foto por Aarón Tejedor.

Empatia talvez seja o pilar mais popular da Inteligência Emocional.

Todos nós alguma vez nos identificamos com os sentimentos de alguém. Seja estando feliz pela conquista uma pessoa ou pela ausência de afeto ou frieza.

Empatia significa realmente considerar os sentimentos das outras pessoas – junto com outros fatores – na hora de tomar alguma decisão.

É ter em mente o que a outra pessoa vai sentir quando você agir. Pessoas que agem de forma empática tendem a atrair pessoas. Afinal, ninguém gosta de trabalhar com pessoas que não se importam com os outros.

Saber dosar e adaptar seu discurso tendo em mente a reação emocional da pessoa que está ouvindo é imprescindível nos dias atuais. Com as redes sociais, nunca foi tão fácil manter os laços de trabalho após o horário comercial.

Se tornar mais empático requer um alto grau de reflexão e prática. Existem algumas dicas que podem ajudar:

  • Seja um ouvinte ativo.
  • Coloque-se na posição das outras pessoas.
  • Esteja atento à linguagem corporal.

Não foque apenas em si mesmo, mas nas pessoas ao seu redor. Ser um ouvinte ativo significa não só ouvir as pessoas. Significa realmente prestar atenção no que a outra pessoa está comunicando.

Muitas pessoas durante uma conversa não estão realmente ouvindo, mas sim esperando o momento de falar enquanto imersas em seus próprios pensamentos.

Uma outra dica é refletir sobre como a outra pessoa pode se sentir caso você diga uma coisa ou outra. Lembrar de momentos passados e como as pessoas reagiram ao que você disse pode ser um bom começo. E por fim, estar atendo à linguagem corporal.

Apenas 7% da nossa comunicação é verbal. Todo o resto vem da linguagem corporal: expressão facial, para onde a pessoa está olhando, se os seus pés estão voltados para você ou para fora, etc. Neste post aqui TK 90s fiz uma resenha de um livro que dá dicas preciosas para como identificar traços na linguagem corporal.

5. Habilidade social

Habilidade social é ser amigável com um propósito. Estar aberto a conhecer novas pessoas que irão agregar em sua vida. Foto por Brooke Cagle.

Os três primeiros pilares são habilidades sobre nós mesmos. Os dois últimos são sobre as nossas relações com outras pessoas.

O último pilar é a habilidade social e isso não é ser sociável ou amigável apenas.

Habilidade social é ser amigável com um propósito. É conseguir mover as pessoas na direção que você precisa seja no auxiliando em uma negociação ou até mesmo com habilidades que você não possui.

Pessoas com algo grau de IE tendem a ter um grande círculo social. Possuem vários colegas em várias áreas distintas.

É aquela pessoa que sempre tem um conhecido em algum canto que pode ajudar na hora de um aperto.

Pessoas tendem a ser muito efetivas em estabelecer novos relacionamentos quando conseguem dominar os outros quatro pilares da IE.

Ou seja, quando possuem excelente controle sobre suas próprias emoções e quando conseguem empatizar com os sentimentos dos outros.

Pessoas com alto grau de IE, e consequentemente de habilidade social, são facilmente identificáveis. São pessoas geralmente boas em gerir times e são ótimos negociadores.

Por exemplo, a habilidade de negociação pode ser descrita como uma combinação de autoconsciência, autocontrole e empatia.

Existem algumas dicas que podemos usar para melhorarmos nossas habilidades sociais:

  • Seja mais empático com as pessoas.
  • Quebre hábitos antigos ou tente algo novo.
  • Defina momentos para socializar.

Algumas vezes, pessoas sociáveis parecem que não estão trabalhando. Estão sempre conversando aqui e ali, muitas vezes com pessoas com as quais não trabalham diretamente. É aquela pessoa que fica perambulando pelo escritório cumprimentando a todos.

Pode parecer como ineficiente, porém pessoas com alto IE sabem que elas podem precisar de ajuda algum dia de pessoas que elas estão conhecendo hoje.

Ser sociável é uma habilidade. E como qualquer habilidade, exige treino, treino e mais treino. Se você não gosta de socializar no escritório, saiba que isso pode ser uma ferramenta importantíssima para desenvolver sua carreira.

Conclusão

Netflix. Apple. Microsoft. De acordo com o autor Daniel Goleman, inteligência emocional é a chave que possibilita CEOs constituírem times incríveis capazes de transformar a vida de milhões de pessoas.

Ninguém nasce sabendo ou com alto grau de IE. Isso é algo que aprendemos ao longo da vida e quanto mais subimos na carreira passamos menos tempo com a mão na massa e mais tempo empoderando pessoas para que elas sim ponham a mão na massa e criem coisas incríveis.

Portanto, o conhecimento em formato de T começa a pender para um lado, e este lado é a inteligência emocional. Goleman demonstra em suas pesquisas como IE é necessário para constituição de um time incrível. E algo que todos podemos desenvolver.

A IE é composta de cinco fatores:

  • Autoconsciência – conhecer a si mesmo e quando está reagindo a emoções.
  • Autocontrole – saber guiar impulsos emotivos para algo produtivo
  • Motivação – estar motivado com o trabalho a ser feito
  • Empatia – entender que as pessoas ao seu redor são afetadas de maneiras diferentes por suas emoções
  • Habilidade social – saber ser amigável com um propósito, ter uma rede de conhecidos que poderá te ajudar.

Trabalho flexível, opção de ir ao trabalho de bermuda ou ainda levar o pet para o escritório podem parecer modernidades que naturalmente surgiram.

Mas na verdade as empresas modernas estão cada vez mais empoderando seus funcionários e descobrindo o valor que isso tem.

E mesmo que você não seja um gestor ou pense em abrir seu próprio negócio, ainda terá uma chefe (também conhecida como clientes ou investidores). E este ser humano que estará à frente do time também possui emoções.

Logo, a capacidade de entender como essas emoções afetam você e os demais ao seu redor sempre se fará necessária.

Ainda mais em um mundo que está cada vez mais conectado, bombardeando a todos nós com informações sobre outras pessoas 24h por dia.

O desenvolvimento da inteligência emocional está aí para ficar. Pelo menos enquanto o trabalho for feito por seres que pensam e sentem.

Já parou para pensar como seus sentimentos te afetam no dia a dia do trabalho?

0 comentário em “5 pilares da Inteligência Emocional

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: