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A preguiça e os problemas de escopo aberto

A preguiça talvez seja um dos meus maiores defeitos. Neste exato momento, enquanto escrevo este post, estou sentido-a ao meu redor me sugerindo voltar para cama e tirar um cochilo.

Como os jogos online e as redes sociais podem afetar a nossa habilidade em resolver problemas

A preguiça talvez seja um dos meus maiores defeitos. Neste exato momento, enquanto escrevo este post, estou sentido-a ao meu redor me sugerindo voltar para cama e tirar um cochilo.

Começar um projeto e largar é algo tão comum e trivial que muitas pessoas nem se dão conta do custo de oportunidade, ou seja, de quanto estão deixando de ganhar se:

Se tivessem ido para a academia ao invés de procrastinar.

Se tivessem continuado nas aulas online de inglês.

Se tivessem praticado o instrumento musical uma hora todo dia.

E isso tende a acontecer cada vez mais com as pessoas devido a como o nosso cérebro está sendo “treinado” através de redes sociais e jogos online.

Mas por que isso acontece?

Para entender o porquê de nós largamos as atividades no começo precisamos primeiro entender o que são problemas de escopo fechado e o que eles fazem com o nosso jeito de pensar.

Problemas de escopo aberto x escopo fechado

Problemas de escopo aberto parecem um grande labirinto onde não existem placas informativas. Foto por Luemen.

Um problema de escopo fechado pode ser descrito como um problema no qual existe um limite finito de possibilidades para resolvê-lo. E nós sabemos disso.

Por exemplo, passar uma missão em um jogo de videogame. Nesta situação, o jogo é um “mundo fechado”, ou seja, a quantidade de coisas que podem acontecer no jogo é limitada e de certa forma conseguimos prever potenciais acontecimentos. Afinal, ao jogarmos sabemos o que pode acontecer com o personagem e sabemos claramente o que temos que fazer para atingir o objetivo.

Este tipo de situação é o tipo que o nosso cérebro mais se sente confortável em resolver. Tanto é que os jogos são uma forma de entretenimento e diversão para muitos. Ao mesmo tempo, os jogos são feitos de forma a ir demarcando o jogo com “migalhas de informação” para que os jogadores saibam que direção devem ir para atingir os objetivos.

E o que jogos tem a ver com a preguiça?

Simples, se jogarmos videogame tempo o suficiente (vários anos) o nosso cérebro estará mais acostumado a este tipo de problema no qual existe um caminho certo e bem definido e as possibilidades são limitadas. Essa se torna nossa nova zona de conforto.

O pequeno detalhe é que na vida real são poucos os problemas de escopo fechado que encontramos.

Na vida real, os problemas são de escopo aberto.

·         Arranjar um emprego.

·         Escolher uma carreira.

·         Morar sozinho.

·         Fazer investimentos.

·         Perder peso.

·         Encontrar um parceiro ou uma parceira.

Todos esses “problemas” a serem resolvidos não possuem fórmulas mágicas e muito menos existem dicas que os resolvem 100%. Afinal, cada um necessita resolver esses desafios de acordo com a sua própria vida ficando impossível encontrar na internet alguém que poderá ajudar a resolver totalmente o problema.

Problemas de escopo aberto fazem parte da nossa vida muito mais do que problemas de escopo fechado. Na nossa vida, muitas vezes não temos as respostas imediatas e muito menos conseguimos prever acontecimentos futuros.

Os nossos cérebros estão sendo treinados em problemas de escopo fechado, e por centenas de horas. Seja jogando videogame ou mesmo nas redes sociais ­– sabemos muito bem o que gera like e o que não gera e quais os jeitos de se destacar neste mundo virtual.

Nestes casos, nós estamos ficando propensos a focar em objetivos e passo-a-passo/atalhos que irão levar aos resultados ao invés de perseverar, focar em agir e continuar tentando. Afinal, no final do dia, é a ação que torna o possível alcançar o objetivo.

Foque na ação

Para acertar o alvo precisamos tentar. Muitas vezes é melhor focar em continuar tentando do que nas tentativas que não deram certo. Foto por Artur.

Sim, possuir objetivos claros e definidos é necessário para que possamos atingi-los de alguma forma. Porém, apenas focar nos objetivos e esquecer do caminho a ser percorrido é o que geralmente leva as pessoas largarem jornadas pela metade.

Seja a pessoa que queria perder peso ou ganhar massa muscular, ou mesmo pessoas que estavam a procura de um relacionamento e deixam de lado porque “é muito complicado deixapraládepoiseuvejo”.

Para muitos, estes são problemas de escopo aberto, afinal quem está começando na academia não faz ideia do que é necessário para aumentar em 10 kg sua massa magra. É uma jornada de anos que envolve conhecer o próprio corpo e mente.

Diferentemente, de uma modelo fitness que treina há muitos anos. Ela sabe bem o que precisa executar para atingir um objetivo desses.

Ao se colocar objetivos irreais por simplesmente não fazer ideia do que é necessário, acabamos nos deparando com uma situação na qual é extremamente desconfortável: talvez não sejamos bons o suficiente naquele momento para atingir o objetivo.

E adivinha só?

Todo mundo passa por isso. Ninguém nasce sabendo tudo que precisa ser feito para atingir todos os objetivos para aí então escolher os que estão de acordo com nossas habilidades.

A gente coloca um objetivo lá no alto e tenta chegar lá. No entanto, apenas focar no objetivo torna a jornada muitas vezes desmotivante e rapidamente as pessoas perdem aquela energia inicial para aprender a tocar um instrumento musical, aprender inglês, aprender a programar ou mesmo começar na academia.

Problemas de escopo fechado fazem com que nos acostumamos a focar em objetivos e deixar o resto para lá, pois alguém/alguma coisa vai nos dizer o que temos que fazer.

Ao migrarmos para problemas de escopo aberto como morar sozinho, precisamos sim ter um objetivo claro, mas mais importante que isso precisamos focar na ação. Ao agirmos e tentarmos é que vamos descobrindo do que somos capazes e quais “mini-problemas” precisamos resolver para que consigamos atingir nossos objetivos lá na frente.

Portanto, focar na ação é o passo mais importante para nos livrarmos dessa paralisia que muitas vezes faz com que deixemos uma atividade de lado.

Mas e os objetivos como ficam?

Deixe os resultados de lado (por um tempo)

Ter resultados mostra que nossos esforços estão nos aproximando dos nossos objetivos. E isso é o que nós queremos atingir ao final do dia.

No entanto, deixar os resultados de lado por um tempo (eu disse por um tempo!) e focar apenas em executar as ações que julgamos serem necessárias para nos colocarmos na trajetória de sucesso pode ser uma forma muito mais eficiente de nos mantermos no caminho.

Através dos resultados a gente consegue atingir os objetivos. Mas só focar no resultado faz a gente fantasiar sobre o caminho. E isso é natural e muitas vezes leva a pensamentos negativos que nos desmotivam.

Já parou para pensar que, às vezes, nós imaginamos situações que podem dar errado (resultados ruins) mas não fazemos ideia do que vai acontecer no meio do caminho? Conseguimos imaginar a situação dando errado mesmo nunca tendo nem tentado!

Por exemplo, tentar se tornar fluente em inglês. No começo não fazemos ideia do que precisamos fazer. Logo, existe uma grande chance de imaginarmos que tal objetivo é extremamente difícil, que precisamos decorar todas as palavras do dicionário e acabamos desistindo muito antes de começarmos.

Como falei no começo do post, estava com uma preguiça danada para escrever. Acordei com dor de cabeça (leve porém estava lá) e não foi um das minhas melhores noites.

Ao invés de olhar para os resultados do meu blog – que naturalmente são pequenos já que comecei faz apenas alguns meses – e deixar de lado como muitos poderiam fazer, decidi focar exclusivamente na ação: escrever duas páginas por dia. Nada mais, nada menos.

Não me importa se o post é o melhor tópico, ou mesmo se vai me ajudar a aumentar minha audiência ou mesmo se possui todas as palavras chaves que são indicadas pelos experts.

Meu objetivo momentâneo é bem simples: escrever duas páginas por dia. Se atingir isso, estou feliz. Pois sei que ao escrever duas páginas estarei melhorando minhas habilidades de escrita. Cometerei erros e eles irão me ajudar a melhorar. E o mais importante: aprenderei o que é necessário para se tornar um bom produtor de conteúdo.

Mesmo que isso envolva escrever mesmo não estando nos melhores dias.

Experiencia vs Inteligência

O surfista que mais erra geralmente é o que mais pratica. E a prática leva ao sucesso .Foto por Debora Cardenas

Muitas pessoas relacionam o erro com a falta de inteligência. E convenhamos, ninguém gosta de se sentir burro.

Ninguém gosta de errar e patinar em falso ao tentar atingir um objetivo. Não é legal quando os resultados não vêm.

Porém, tudo que fizemos pela primeira vez não vai ser o nosso melhor. Não adianta. É assim que o ser humano funciona. O jeito é focar em aumentar a nossa experiência em fazer uma determinada atividade, seja aprender algo novo, escrever, cantar, se comunicar e por aí vai.

E como fazemos isso? Focando na ação!

A ação sem experiência leva ao erro. E através dos erros aprendemos e adquirimos experiência. A ação com experiência leva aos resultados.

Ao se ter consciência disso, fica mais fácil (muito mais fácil) digerir os erros. Sim, ainda continua incômodo. Porém, ao sabermos que quanto mais erramos mais aprendemos e adquirimos experiência mais fácil se torna ficar no caminho. É tudo uma questão de mindset.

Os desafios continuam os mesmos, mas uma pequena mudança de mentalidade – algo que depende apenas de você – pode tornar a jornada mais prazerosa e até que divertida.

E durante essa aventura, muitas vezes quando menos esperamos, os resultados começam a vir. E os resultados vindo, os objetivos são alcançados. E ainda existe o risco de a jornada ser tão prazerosa que os resultados são comemorados por um dia mas a jornada é lembrada por toda a vida.

Conclusão

Os nossos hábitos não nos tornam quem somos. Eles são uma função das nossas ações. Ao deixarmos de lado a introspecção (uma inspeção dentro de nós mesmos) estamos deixando de lado uma grande quantidade de conhecimento sobre o assunto mais interessante do mundo: nós mesmos.

Nossos sentimentos, hábitos e reações são funções do que fazemos. Trabalhar com tais sentimentos nos ajuda a entender certas situações que antes pareciam barreiras intransponíveis.

Falar inglês fluentemente, ir na academia, aprender a programar e tantos outros objetivos que inicialmente parecem impossíveis podem ser apenas uma falta de análise sobre seus hábitos e motivações.

Quando se é treinado em problemas de escopo fechado, problemas de escopo aberto parecem impossíveis de resolver. E o engraçado é que eles parecem impossíveis tanto para os que conseguem quanto para os que não conseguem superá-los.

A diferença está na ação. Os que conseguem apenas aceitam a dificuldade e têm consciência de que refletir sobre os erros e continuar tentando é o único caminho para frente.

Já parou para pensar sobre aquela situação que é “impossível” para você mas que existem várias pessoas que conseguiram fazer e continuam conseguindo?

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